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Mostrando postagens de Abril, 2017

A Literatura no Ceará

Letras e Rabiscos na Terra de Manezim do Bispo

Fragmentos de um livro em preparo




Escritores Ao Sopro da Maria-fumaça


Por ALimaS


A literatura no Ceará desenvolveu-se através de consórcios, se bem que os escritores mais talentosos, quase sempre, optassem pela carreira solo. Grupos ou corriolas (no bom sentido, claro) que se reunirem em clubes, associações de classes ou mesmo em torno de uma autoridade, como ocorreu logo em seus primórdios, por volta de 1813, quando rapazes bem posicionados na sociedade provinciana passaram a frequentar assiduamente o palacete governamental para tecerem loas ao Sr. Manoel Inácio de Sampaio.

Versejadores de ocasião: alguns, de boa índole, embora fracos no mister de construir versos; outros, provavelmente, de olho nas benesses do Estado - uma prática, aliás, que haveria de se estender de pai para filhos, compreendendo velho tronco genealógico de quatro ou cinco famílias a abarcarem simplesmente tudo na terra do Comendador Luís Sucupira, desde os postos estraté…

Lacunas - Poema foto-dilacerante de ALimaS

LACUNAS

Poema foto-dilacerante de Astolfo Lima


o verso difuso do poeta
perpetua-se em giz
pauta o infortúnio
dilacera a razão
promove o delírio
e morre

a lágrima insopitável da musa
eleva o sentimento
poda cicatrizes
cristaliza neurose
subverte o riso
e vive

a intrepidez do poeta
é desesperança
dos lírios e malmequeres
petúnias e dálias
todos os brotos por ventura recorrentes
e flui

o efluxo delituoso da ninfa
corrompe a reflexão
o silêncio
a inquietude
qualquer gesto de benevolência
e vinga

o lirismo magno do poeta
fragmenta melancolia
embevece a rima
dimensiona a própria áurea
depois se espedaça
como vidro

madrugada
ela desliza o lençol sob minha insensatez
beija-me a paz
e se recolhe a outro dormitório
faz antes um gesto de despedida
como se fugisse para o céu
sentisse que o nosso reencontro só se dará
muito tempo depois
já à mesa
para o café

fique - rogo-lhe
não temamos a noite interminável
terá de volta o meu riso - prometo
mesmo sem a contrapartida do seu
até pela desnecessidade …

O MISTERIOSO SUMIÇO DE DONA GUIDINHA DO POÇO

Por ALimaS

Os originais de "Dona Guidinha do Poço", obra vigorosa de Oliveira Paiva, permaneceram por mais de meio século na obscuridade, correndo de mão em mão, depois de terem sido confiados a Antonio Sales para que fossem publicados no Rio de Janeiro - o que, infelizmente, jamais ocorreria em tempo, por conta de misterioso sumiço.

Não fosse pela obstinação de Lúcia Miguel Pereira, afamada pesquisadora de literatura, que os resgataria mais tarde das mãos de Eurico Facó e logo recomendaria sua publicação pela editora Saraiva, abrindo a série "Romances do Brasil", em 1952, o país, hoje, provavelmente, não saberia de Oliveira Paiva, um escritor genial.

O romance Dona Guidinha do Poço é de tal magnitude criativa, que, mesmo tendo permanecido sequestrado por tanto tempo, não perdeu seu vigor, mantendo-se até os dias atuais como uma das narrativas mais empolgantes de toda a fase naturalista no Brasil.

Nela, o ritmo exato que se deve conceder aos relatos extraídos da cr…