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Mostrando postagens de Março, 2017

A Fortuna Derivada do Livro-brinquedo

Por James Kafka


Livro por metro quadrado
Vinte anos trabalhando com livros. Primeiro como vendedor de enciclopédias, em plena ditadura, porque era essa a única forma de livrar algum sem que precisasse mostrar documentos, carteira assinada, essas coisas. Expulso da Armada, por conta de minhas idéias contrárias a ordem vigente, sem lenço nem documento, era pegar ou largar. 
 O gosto pelos livros, contudo, já era coisa antiga, embora fosse eu apenas um cara metido a cometer versos capengas e tudo mais como todo jovem quando conhece a primeira namorada e começa a escrever umas coisas. 
Pensei: vou unir o útil ao agradável. Deu no que deu. 
Depois da aventura pelo mundo das enciclopédias, resolvi trabalhar com livros fora de catálogos, antigos, obras raras, sobretudo aquelas que as viúvas põem no lixão quando o marido embarca para a terra do nunca, se não forem antes devorados pelos cupins (os livros, claro). 
Experiência, portanto, em lidar com livros de papel, tenho alguma; não digo de es…

Donos do Mundo e Mais Alguma Coisa

A triste sina dos andarilhos virtuais
Por James Kafka


Ainda que um país, aqui e ali, venha a ser governado por um visionário, isso não será garantia de que o cidadão comum terá assegurado seus  direitos mais elementares enquanto indivíduo inserido numa sociedade.

A tão propalada justiça social imaginada pelos loucos e sonhadores jamais será efetivada em qualquer pátria, civilizada ou não.

Pura tolice desperdiçarmos os melhores anos de nossas juventudes dando vazão a utopias, apiedando-nos do irmão supostamente menos favorecido, ou tentando denunciar a grande farsa do Estado como organismo representativo de um povo. Tudo ilusão.

Guardemos, pois, os nossos rancores e frustrações apenas para nós mesmos, sem jamais ousarmos um enfrentamento aos grandes canalhas. Eles venceram, não tenhamos dúvidas.

Tampouco imaginemos que a Internet será a redenção dos acorrentados pelo sistema corporativista da informação, subjugados que já somos secularmente pela velha mídia familiar, tradicional. Em te…

A LOBOTOMIA JUD-MIDIÁTICA QUE ESTÁ DESTRUINDO O PAÍS

Por James Kafka

A semente do nazi-fascismo está germinando no Brasil do mesma forma como foi disseminada em várias partes do mundo em passado não muito distante.

A propaganda brutal para demonizar o PT, suas lideranças mais representativas e aos simpatizantes de um modo geral é idêntica a que foi posta em prática por Hitler e Mussolini na Europa, atraindo fundamentalistas de todos os naipes e que culminou com o extermínio de milhões de inocentes.

Uma lavagem cerebral que faz você odiar sua própria mãe. Onde dentro de você nada mais restará de você mesmo que não seja um desejo absurdo de exterminar um inimigo que até bem pouco você sequer imaginava que existisse ou contra ele você nutrisse qualquer tipo de preconceito ou raiva.

O estímulo a manifestações falsamente cívico-moralistas contra os judeus, estigmatizando-os perante o mundo, pintando-os como demônios e responsáveis por todas as mazelas da Alemanha, serviu como modus operandi aos que hoje atacam os petistas, aos quais a mídia…

RAPSÓDIA RUBRA

Por ALimaS


Quando Karl Marx previu a morte do Capital e o advento de uma sociedade voltada para as artes, quis dizer: "voltada para o software".
Somos atores e plateias previamente elaborados, virtuais e infinitos.
Dispersos do nosso próprio tempo.
Ou inseridos em todos.
A cultuar mitos.
Ou destituí-los.
E divagar em ideias já estabelecidas.
Válidas ou fraudulentas.
O destinatário de uma obra nem sempre será receptivo ao que lhe tenta dizer o artista.
Literatura não é arte de entretenimento.
Todo artista caminha sobre o vértice que separa a sensatez da loucura.
Impossível determinar quem seria lúcido ou parvo na presente quadra da nossa história.
O tolo, geralmente, vocifera que escreve para a posteridade.
O sábio vislumbra a posteridade.
Erasmo de Roterdã já previa os desvarios da raça humana através dos tempos.
E o supremo papel que a cada um de nós teria sido reservado.
Por força da nossa estupidez ou sabedoria.
Na absurda epopeia da vida os mistificadores só se acercam de palhaços genuina…

ENCONTRO DE WOODY ALLEN COM MACHADO DE ASSIS, EM PARIS

Conto de A. Lima




Woody Allen enganchou na cara o par de óculos aro de tartaruga em lentes pretas com a mesma espessura do fundo da garrafa de champanha da qual sorvera dois goles minutos antes em reunião extremamente desnecessária e idiota com editores suecos, e enfiou-se porta adentro no refinado antiquário do Quartier Latin, em Paris. 
Queria, antes de tudo, safar-se dos curiosos. Permanecer incógnito e bem distante das aporrinhações por autógrafos e elogios pífios à sua obra cinematográfica, que, a bem dizer-se, jamais considerara grande coisa.
De início, Allen postou-se diante de uma imitação perfeita de Picasso pendurada de modo estratégico numa parede bordô, que, em rápida avaliação, considerou bem superior ao original, e em seguida acenou a uma jovem e elegante senhorita que acabara de atender a um casal de idosos norte-americanos.
"Quanto custa?" – indagou Woody, em francês, quase sem sotaque, constatando no ato que seu disfarce estava perfeito, dado que a jovem lhe …