Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2017

A NÃO CRÔNICA DA NÃO LITERATURA

Por A.Lima


Crônica é literária menor, descartável. Com ressalvas ao texto de conteúdo histórico inquestionável, a exemplo do que fizeram os escritores-viajantes da antiguidade nas suas apreciações sobre os eventos mais significativos, ou de alguns grandes autores que, em algum momento, exercitaram o gênero sem qualquer prejuízo a suas obras propriamente ditas.

Faço alusão, claro, a essa patomima midiática dos decadentes de agora, todos donos de estratégicas colunas nos jornalões falidos, TV e internet.

A bem dizer, crônica nem deveria agregar-se à literatura do modo como propõe a crítica de resultados, sob aplauso desses embromeiros que teimam em orná-la com imagens miraculosas e outros penduricalhos, na vã tentativa de que se transformem em obra consumível.

Tais artifícios, aliás, além de não promoverem o texto, conforme muitos tolos imaginam, ainda o transformam naquela coisa híbrida, indolor: nem conto nem crônica.

Isso, evidentemente, também sem desmerecer um Oto Lara Rezende ou R…

PERFIL DE UM BODE ACADÊMICO

O dia em que o bode Ioiô comeu a fita inaugural do cine mais famoso da terra de Alencar
Por ALimaS
O bode Ioiô deu as caras por essas bandas de Fortaleza no ano da pior seca que assolou o Estado do Ceará (1915), vendido por um retirante a uma empresa inglesa, instalada na praia de Iracema, por nome Rossbach Brazil Company. 
Sentindo-se desprezado - jogado que fora num cantão apenas para limpar o mato que crescia ao redor do prédio -, o bode, um dia, em descuido do guarda, resolveu se deslocar até a Praça do Ferreira, mais diretamente até o Café Java, onde se reuniam desocupados e artistas, ou artistas desocupados, tanto faz. Ambiente, portanto, mais que adequado ao bode, já afeito às vadiagens.

Furão que só, o bicho foi logo se enturmando com a rapaziada, dando uma chifradinha na pança de Raimundo Cela, que, naturalmente, muito satisfeito por aquele afago inesperado, logo lhe serviu uma dose de pinga - engolida pelo bicho no ato, sem cuspida nem arrepio. Sopa no mel!

Ioiô não largou…

O Poder arbitrário da Palavra Escrita

A História que jamais será contada

ALima

O insensato busca o poder para imbuir-se da falsa sensação de eternidade, mesmo sabendo que, tanto quanto ele, sucumbirá a obra que por ventura vier a produzir, não sendo essa suficientemente meritória.

Mata pelo poder. Destrói. Trai. Corrompe e se deixa corromper. 
Não me refiro apenas ao poder da grana e das armas - se bem seja esse último o que eleva o outro à condição de opressor máximo da humanidade. Faço alusão a mais terrível e devastadora de todas as tiranias, que emana de sutil sistema supostamente essencial ao desenvolvimento da raça: o poder da palavra escrita, com toda sua descomunal teia disseminadora de farsas no mundo globalizado, seja através de livros, jornais e revistas impressos ou qualquer outro tipo de mídia que surja no rastro das tecnologias mais avançadas, a exemplo da própria internet. 
Um universo, portanto, que tanto poderá nos trazer algum benefício, quanto nos arruinar de modo irreversível, dependendo tão somente do…